quarta-feira, 11 de abril de 2012


Não é nada fácil fazer férias da Páscoa quando se trabalha, ainda mais difícil o continuar a fazer quando a Páscoa já passou… ainda assim a ausência de textos deve-se a umas miniférias em part-time… Fica em agenda versar sobre tal tema num “bloco de Notas”.   

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Palavras Dispersas: Quanto vale uma Alma?



Na passada Segunda-feira, Eva Gonçalves, grande amiga, publicou o conto “Uma visita à casa de penhores”. Um texto actual e pleno de significado.
No ar, Eva deixa a seguinte questão:
- “Quanto vale uma alma?”
Algumas, por opção própria, valem certamente muito pouco… Sua alienação advém da ganância, do egoísmo, de tudo o que é desmesurado, atroz e cruel.
O protagonista do texto da Eva, Zé, irreflectidamente a vende, de imediato se arrepende, e quando a vida lhe permite consertar o erro, está disposto a tudo dar para recuperar o que de mais valioso possuía.
Perante tal cenário, o Diabo, it self, predispõe-se a pagar, ao dono da loja de penhores, o dobro de tudo o que o Zé poderia oferecer…
Uma vez mais:
- “Quanto vale a alma do Zé?”
Apenas posso dizer, que vale bem mais do que a sua vida sem ela…
Identidade, essência, luz, personalidade, caracter, dignidade e solidez de toda uma existência.
O simbolismo por detrás do texto, perturba e reflecte a dura realidade dos nossos dias, ciente de poder ser tão-só uma questão de sobrevivência.
O poder escraviza quem dele depende.
O poder avassala quem dele mais necessita.
- “Quanto vale uma alma?”
Inalienável, irrenunciável, sem preço.
Oferecido o raciocínio, Vítor Gaspar que faça o favor de fazer as contas…

quarta-feira, 4 de abril de 2012

"Uma Imagem por umTexto" - São



Pela janela, através do vidro, a paisagem é toda ela uma exibição de grandeza, onde a neblina matinal cobre os campos e prados que se estendem à volta da aldeia.
Maria acaba de tomar o pequeno-almoço, café com leite e torradas, e prepara-se para sair.
A humidade da noite parecia colada, qual mel incolor, às folhas das árvores. A neblina, dá agora lugar a nuvens altas, acompanhadas por um sol algo envergonhado.
Avista os olhos fixos de cães vadios, e entra para o autocarro. Senta-se, e este avança lentamente, como que sacudido pelo motor já cansado dos muitos anos. Vira-se no banco e fecha os olhos, enquanto reclama sobre a escolha de sapatos, que agora lhe magoam os pés.
Os pneus do pequeno autocarro chiam numa curva um pouco mais acentuada. Lá em baixo, o riacho parece revolto e apertado, como que a forçar o caminho entre as margens.
Chegada ao destino, desce, e por breves momentos permanece imóvel. A aldeia nunca lhe parecera tão bela, sorri e olha de relance para as casas baixas, de telha vermelha e granito negro. Caminha com a calma dos anos, sempre serena e sorridente, atravessa a praça principal, passando pela fonte. Enverga uma camisa branca e calções azuis, simples, ligeira e confortável como sempre gostou de andar.
Pára junto a uma colorida loja de produtos tradicionais, onde por ela já aguardavam.
Decidem sentar-se no degrau, em frente à loja.
De expressão frágil, pálida, bela e de olhos brilhantes, assim é Maria. Ao seu lado, amizades de toda uma vida, aventuras, histórias, cumplicidade, e muita felicidade.
Desta tela, colorida pelos quadros expostos á porta da loja, pela beleza que só as aldeias aparentam ter, destacava-se acima do demais, um sorriso, o sorriso de Maria, o reflexo de felicidade, de bondade que motiva e se propaga.
Um casal de turistas, ainda jovem, e de passagem, parece hesitar. Nos seus olhos, apenas admiração e o respeito de quem se deixou conquistar pela bondade.
A jovem acena a Maria, num gesto delicado, enquanto o companheiro, também sorrindo, a eterniza na mais bela das imagens.
Duas semanas mais tarde, tal como prometido, Maria recebe a fotografia por correio, abana a cabeça e sorri.

Imagem escolhida pela São e retirada do seu blogue (espero ter retirado a imagem correcta -risos)

terça-feira, 3 de abril de 2012

"Bloco de Notas" Facebookólicos Anónimos



O “Bloco de Notas”, como já tive oportunidade de referir em texto anterior, é uma “rubrica” onde pretendo especificar algum assunto que me tenha atraído à atenção.
Assim, e muito certamente sem o “Like” do Mark, este primeiro “Bloco” é sobre o Facebook.
Amigos, por mais que tente, por mais que me obrigue a participar, ou a tentar compreender o que os outros encontram neste refúgio virtual, não sou muito simplesmente capaz e apenas consigo dizer:
“Não há pachorra”…
É claro que respeito as opções de todos, e de cada um, sendo que, a multiplicidade é ela mesma, essência do ser humano, aquele pequeno toque que faz de nós seres únicos.
Recentemente, ao falar com uma amiga, comparei o facebook, e assim me perdoe Mark Zuckerberg, às telenovelas… mas às brasileiras, que supostamente serão de melhor qualidade… pessoalmente não o sei, pois também delas não sou grande “Fã”.
Não tenho nada contra os jogos que dele fazem parte, nem ao convívio, que muito certamente é saudável, sem sair de casa, e com claro benefício para o orçamento familiar, ao se evitar, por exemplo, despesas em cafés.
Não tenho, igualmente, nada contra a política de privacidade, nem contra o facto de as pessoas partilharem o que bem entendem partilhar, seja isso imagens ou palavras.
Continuo a não me enquadrar, pelo que, muito simplesmente mudo de “canal”, não me atraí, pelo que devo padecer de algum erro genético… ainda assim, dou graças de não correr o risco de tornar-me num facebookólico Anónimo e de ter de passar a frequentar terapia…
Após esta tentativa de ironia, reforço que gosto das pequenas coisas, e isso implica usufruir da totalidade, ou quase totalidade dos meus sentidos, o contacto, a presença, o olhar, sentir o que me está a ser transmitido, o simples facto de ouvir a voz da outra pessoa, de dar uma gargalhada e não um “LOL”.
O Mundo virtual tem benefícios e desvantagens, como tudo na vida, e para mim, partilhar, é bem mais do que enviar um ficheiro…
A única rede social que detém parte da minha atenção, é o mundo dos blogues, e mesmo assim com a contenção necessária, porque, amigos, a vida é lá fora…
Portanto, Facebook, o meu sincero “Dislike”
Tenham um óptimo dia.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Palavras Dispersas: “Não há noites sem estrelas, nem dias sem sol”



A vida, puzzle virtuoso e demoníaco, é construída de momentos, fases brilhantes, transparentes, obscuras ou por “escurecer”…
Bem sei que, nem todo o céu azul é bonança e nem todo o dia de nevoeiro faz surgir D. Sebastião, mas, ainda assim, não há noites sem estrelas nem dias sem sol…
É claro que existem momentos de puro desespero, momentos em que mal sabemos quem somos, para onde vamos ou queremos ir. Tudo é turvo e não existem escolhas ou poder de decisão. Tudo é mau e o mundo está contra nós numa conspiração sem igual, e nada, mesmo nada, corre como devia.
Já sem força para combater tamanha adversidade, calçamos as pantufas, deixamo-nos afundar no sofá, no conforto do cobertor, parece inverno e lá fora faz frio.
Pessoalmente, desespero pelo que não posso controlar, pelo que posso sentir, mas cuja impotência não me permite resolver.
Pode até parecer uma receita simplista, inútil ou inocente, mas o poder do pensamento positivo faz, de facto, pequenos milagres. Não resolve o problema, não o faz desaparecer, mas minimiza todas aquelas outras situações que normalmente nos fazem pesar sem serem meritórias.
Azeite e água, noite e dia, o sol e a lua… se escutarmos com atenção a voz da razão teremos a noção de que há batalhas que não devem ser travadas, pelo ridículo da falta de gravidade, outras que não podem ser vencidas, simplesmente por não estar nas nossas mãos e por fim aquelas que podem e devem ser ganhas e que nos ajudam a crescer.
Se adquirirmos a capacidade de nos livrarmos dos pesos inúteis, seremos com toda a certeza mais fortes para compreender, aprender com a dor e a ultrapassar. Existem dificuldades inultrapassáveis sem dor, mas se nos conhecermos a nós mesmos aprendemos a saber o que é que nos faz sorrir, levantar nas manhãs frias de Inverno e ir trabalhar. Existem dores que não podemos minimizar e feridas que demoram a sarar, mas todas as dores da alma podem ser tratadas, apenas temos que as saber “digerir” de forma a as deixarmos de reviver.
A felicidade?
Está nas pequenas coisas, Garanto
Boa Segunda-feira.

domingo, 1 de abril de 2012

"Uma Imagem por um Texto"



Poderosa, ameaçadora e ensurdecedora, a tempestade assola a noite no seu escuro véu. Rios percorrem as ruas semi-desertas de Lisboa, mas a tudo ele parece indiferente.
Encostado à parede de um prédio antigo, coberto pela tenebrosa intempérie, um individuo sem idade, sujo e andrajoso, ajoelhado e de pés nus, grita das profundezas da alma.
- O Anticristo está a chegar, estás a chegar, a besta está… – uma falha na voz, a lágrima sobrepõe-se à chuva que lhe percorre o corpo, ao mesmo tempo que vislumbra a indiferença ou a grande repulsa de quem por ele passa – Esperem! Oiçam-me! Já vi a besta da terra… já o vi…
- O caos vai-se instalar, já vi o falso profeta – rouca e profunda como a noite, sua voz projecta-se na escuridão, perdido, seus olhos semicerram-se imediatamente, como os dum animal irritado – Armagedão, o anticristo entrará em Jerusalém e se autoproclamará Deus.
- Oiçam-me, têm de me ouvir! Aqui ninguém é inocente. – Desesperadamente insano, descontrolado, leva as mãos à barba enquanto grita no vazio – Jesus não vai regressar para salvar o Mundo, é tudo mentira.
- Vem, mata-me com as tuas palavras, desafio-te… – sem esconder a decepção, deixa-se cair de exaustão, para a custo se levantar, reprimindo um novo soluço resignado e triste – A batalha já se deu e Deus perdeu-a…
De repente, estremeceu – Pára, estou a arder, deixa-me, deixa-me, não te quero.
Sente, uma vez mais, o abandono dos sentidos, apaga-se momentaneamente para a vida. Ao acordar, sente-se calmo, em seu redor apenas a mais pura das cores. Será que está morto? Está deitado numa cama, envolto em lençóis brancos. Sente-se limpo e a roupa tem um suave odor a lavado.
Está sozinho, a mente ainda distante e a vista algo turva. Pela luminosidade do quarto poderia adivinhar o paraíso não fosse estar de mãos e pés atados, mas o inferno não é tão puro, pensou.
O rosto de um anjo surge sobre si, numa língua perdida, dá-lhe algo para tomar e contínua suavemente seu diálogo.
Que interessa afinal onde está… não há presente ou futuro, o passado a água da chuva levou…

Imagem: Pintura de Pablo Picasso, "Guernica", 1937

sábado, 31 de março de 2012

Crónicas de Sábado à Noite:



Estou tentado a dar início a esta “Crónica de Sábado à Noite” com uma boa notícia para todos os Portugueses:

- Há cortes que valem a pena.

Ontem, Ribeiro e Castro, Deputado do CDS, “furou a disciplina de voto” da sua bancada, e como tal, Nuno Magalhães, líder parlamentar do partido, insurgiu-se contra (fonte: Jornal o público).

Meus amigos, independentemente de achar caricato, o facto de alguém votar contra uma revisão revolucionária do Código Laboral, e apenas o fazer com base no corte de um feriado, ignorando o demais, ainda que seja o dia da restauração da independência nacional e minimizando o facto de já não sermos assim tão independentes, a verdade parece ser só uma… e daí a minha empolgada sugestão ao Governo e ao Senhor Primeiro Ministro:

- Meus Senhores, na próxima Revisão Constitucional, igualmente, tendo por tema “Portugal”, a redução de custos e uma maior eficiência, vão ter muito certamente o apoio da quase totalidade dos Portugueses, se acabarem, pura e simplesmente, com o número de Deputados.


Ora vejamos, se após as eleições, a cada partido cabe determinada percentagem de votos, tal significa que, basta apresentar um único Deputado, o seu representante parlamentar. É claro que, a cargo dos partidos, têm forçosamente de ficar os custos com os grupos de trabalho que eventualmente sintam necessidade de ter no apoio a tal representante, até porque, meus Senhores “Não há dinheiro”.

Em suma, redução substancial de custos, maior eficiência e o fim das longas horas com discussões por terminar, num grupo que seria de trabalho.

Numa Crónica que se quer curta, não posso deixar de lamentar o atentado em “Toulouse”.

Termino este primeiro momento como gosto, a aplaudir de pé o facto da bela cidade do Porto ter sido consagrada como o “Melhor Destino Europeu 2012”, numa votação online, e Portugal ser o único País com duas presenças nos dez primeiros, com a menina e moça, Lisboa, em oitavo. (Sol)


Assim me despeço, tenham um ótimo fim de semana.
Imagem: Pintura de Cynthia Blair

"Sol, Mar... e um pouco mais": Algumas Considerações

Ora, neste regresso, acima de tudo, quero criar algo para mim, usufruindo das magníficas ferramentas à disposição na internet, e ainda antes de abrir as “hostilidades” criativas, quero referir algumas das rúbricas que fazem parte integrante do blogue, algumas com proveniência em blogues anteriores.

Assim, o Blogue “Sol, Mar… e um pouco mais” vai “adotar” as “Crónicas de Sábado à Noite”, algo que no passado me deu prazer de escrever e que pretende comentar, com alguma ligeireza de espírito, as principais notícias da semana, sem grande seriedade e com alguma ironia à mistura.
 
Regresso, igualmente, de “Palavras Dispersas”, muito certamente a rúbrica que mais gostei de fazer, pequenos “devaneios” escritos, algo libertadores, sem grande rigor; um sentir do fundo do meu ser, fruto do que eventualmente me perturba, ou muito simplesmente uma mensagem dirigida a alguém. 

Entre as novidades, o “Bloco de notas”, um novo espaço onde espero comentar de forma um pouco mais especifica algumas notícias ou temas.

Uma pequena inovação, num blogue meu, pelo menos, a rúbrica “Uma imagem por um texto”, onde deixo um desafio a quem me visita. Mais não será do que um reflexo de breves tentativas minhas em escrever contos, “terreno” ainda algo desconhecido para mim, mas que me dá grande prazer a explorar.
 
Uma imagem por um texto”, resume-se, portanto, a um desafio lançado, a quem me visita, o de me enviar uma imagem, fotografia ou pintura, com a respetiva fonte devidamente identificada, para este EMAIL, e de eu, posteriormente, a tentar usar como inspiração num pequeno conto.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Sol,Mar... e um pouco mais

Neste primeiro texto, cumpre dizer que ”abraço” esta nova aventura com uma única pretensão, a de transmitir a “imagem” de um espaço acolhedor onde partilho pequenos “devaneios“ escritos através de um exercício de escrita, com textos leves e descontraídos, por vezes espontâneos e sem grande rigor.

Algumas “incursões” neste mundo virtual, o dos blogues, permitem-me conhecer, pela escrita, pessoas absolutamente fantásticas e mesmo muito talentosas. Após dois blogues pessoais e um partilhado, aqui estou de novo para mais um “ciclo”.

Pessoalmente, gosto de uma escrita que liberta, gosto de palavras dispersas brotadas do mais fundo do ser, gosto de divagações que visam “animar a alma e aquecer o coração”.