Mostrar mensagens com a etiqueta Rubra Acácia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rubra Acácia. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de abril de 2012

"Uma Imagem por um texto": Acácia Rubra




- Está uma manhã bonita, não está? – Observou Pedro, enquanto prepara a mesa para o pequeno almoço   Nestes dias, o trabalho com o jardim compensa sempre…
Joana sorri – sim, o meu trabalho compensa sempre…
Pedro responde com um sorriso cúmplice.
O sol da manhã atravessa o pequeno jardim, ilumina-o e dá-lhe um conforto que lhes é afeito. A tradição de tomar o pequeno-almoço "fora de portas", existia desde sempre.
Os sons da natureza, qual orquestra afinada, em tons ligeiros, belos e relaxantes, é a banda sonora de um espaço verde, colorido e repleto de cheiros familiares.
Um miúdo de sorriso bem traquinas, atravessa a cozinha e corre para junto do pai. Pára, ao observar um pequeno exercito de formigas a encobrir uma abelha morta.
- Pai, pai – grita com tristeza na voz.

- Jorge, como sabes, na natureza, nada se perde, tudo se transforma, como por magia, qual milagre, não há desperdícios, apenas formas de vida a gerar e sustentar outras, numa constante renovação.
Recordo-me - continua, pausa na voz, uma voz quente e jovem - Eu teria pouco mais do que a tua idade e os teus avós levaram-me a passear no campo. Na memória ficou uma bela imagem de cogumelos, quais frutos, a sair de um resto de tronco. O avô chamou-lhes parasitas necrófagos, seres que se alimentam da desgraça alheia, sem ter que lutar ou revelar grande esforço…

- Como a fábula da cigarra e da formiga?
- Exactamente como a fábula…
- Recordo-me da avó sorrir, fazer uma careta, para logo de seguida referir que a grandeza está no aproveitamento de recursos. Um tubarão que se alimenta de restos da carcaça de uma baleia já morta, assim como os microorganismos que acabam por a consumir, que aniquilam a putrefacção e acabam por representar pequenos “ecopontos” vivos da mãe natureza.
- Como quando vamos ao vidrão?
- De certa forma, sim. Não te sei dizer se os cogumelos, que se instalaram nos restos do que em tempos tinha sido uma árvore, e dela se alimentavam, seriam, ou não, comestíveis… mas independentemente disso, uma forma de vida já extinta, permitiu o surgimento de outra e a sua subsistência…
- Mas não tens pena da abelhinha?
- Se tivesse viva, teria, mas sabes, a natureza, por vezes, aos nossos olhos, até pode parecer cruel… mas todos os seres servem, por vezes mesmo sem o saber, um propósito superior, e a vida é feita disso mesmo... de pequenos milagres.
- Pai, levas-me ao campo?

Imagem escolhida por Acácia Rubra, do blogue Rubra Acácia.